terça-feira, 30 de novembro de 2010

Gnocchis, ou se preferir, nhoques

Uma tradição italiana diz que no dia 29 é dia de comer o gnocchi della fortuna. Reza a lenda, que retirei daqui que São Pantaleão, num dia 29 de dezembro, vestido de andarilho, perambulava por um vilarejo, em algum lugar da Itália. Com fome, bateu à porta de uma casa e pediu comida. Foi recebido por um casal que, mesmo com certa desconfiança, o convidou para sentar-se à mesa com eles. Como eram pobres e os tempos eram difíceis, não tinham muito o que comer. O único alimento eram nhoques, que dividiram com o Santo: sete nhoques para cada um. São Pantaleão comeu, agradeceu a acolhida e se foi. Para a grande surpresa, ao retirar a mesa, o casal encontrou em baixo dos pratos moedas de ouro.

Daí em diante criou-se a simpatia do nhoque da fortuna/sorte: coloca-se uma nota de qualquer valor sob o prato com nhoque. Em seguida fique de pé e concentre-se para iniciar o ritual. No prato, separe sete nhoques e coma um a um. Para cada nhoque, faça um pedido diferente. Depois, sente-se e saboreie o restante do prato. O dinheiro colocado sob o prato deve ficar guardado até o próximo dia 29, para garantir a fartura. Outros dizem que deve ser dado a alguém que necessite ou usado quando for feita nova simpatia. 

Se traz sorte, fortuna ou sei lá mais o quê, não importa. O importante que é mais uma data para comermos bem. Um nhoque caseiro é uma delícia e muito fácil de se fazer!

Lá no restaurante nos dias 28,29 e 30 de cada mês é realizado o Festival do Gnocchi. Os nhoques são acompanhados de 5 tipos de molhos: pomodoro, pesto, ragu de filé, gorgonzola e funghi. Como eu não tirei nenhuma fotinha, segue abaixo uma receita de um nhoque que eu fiz há algum tempo, mas com uma diferença básica: nada de batatas e sim, abóbora moranga. Confira a receita:

Nhoque de abóbora moranga
Ingredientes
1 abóbora moranga média
1 gema de ovo
Farinha de trigo
Sal
Pimenta do reino

Molho
400g de carne seca
1 cx. de creme de leite
1/2 cebola repicada
Alho repicado
Queijo parmesão para finalizar

Modo de fazer
Descasque a abóbora e corte em pequenos pedaços e...olha a dica infalível, o pulo do gato: asse no forno quente até que ela fique bem macia. Dica: Nunca cozinhe em água o ingrediente do seu nhoque, seja batata, mandioquinha, etc. Quanto menos água no alimento, mais fácil de dar ponto. 

Amasse bem abóbora com o garfo, coloque a gema, tempere com sal e pimenta do reino e vá adicionando farinha de trigo aos poucos. Quanto menos farinha melhor, é só o suficiente para dar liga. Se tiver dúvida do tempero ou do ponto, faça alguns e coloque na água fervente para degustar.

Faça o molho: dessalgue a carne de sol em água fervente e cozinhe por 20 min. Desfie e refogue-a na cebola e no alho. Acrescente o creme de leite. Se necessário, acrescente um pouco da água em que foram cozidos os nhoques para deixar o molho menos espesso. Reserve.

Cozinhe os nhoques em água fervente com sal. Aquele bê-á-bá da cozinha mesmo: quando subir está no ponto. 

Misture os nhoques cozidos no molho para que ele incorpore na massa. Finalize com queijo parmesão ralado e cheiro verde. Sucesso absoluto! Mas ainda vou testar uma receita que imaginei, nhoque de chuchu com molho de bacalhau. Será que dá certo?

É, eu sei que faltaram fotinhas do ponto da massa, cozinhando, etc ;-)
Mas o que tem para hoje são essas!rs

Abraços afortunados,

Felipe Tavares

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Indo pra Cozinha entrevista

Inspirado pelo maravilhoso Quiz do blog da chef Carla Pernambuco, resolvi criar um espaço aqui no Indo pra Cozinha para entrevistar alguns chefs de cozinha. Ainda é uma ideia que está brotando na minha cabeça, mas que espero dar continuidade.

E não poderia começar de uma maneira melhor, a primeira entrevista é com um dos meus chefs no Ristorante L'Astigiano. Pessoa super simples e especial que tem me ensinado muito e faz questão de compartilhar toda sua experiência. 


Nélio Eustáquio Rezende, 30 anos, formado no curso de Cozinheiro pelo Senac BH em 2005. 
Já teve passagem pelos restaurantes O Dádiva e Tizé Bar e Butequim. 
Atualmente é chef de cozinha do Automóvel Clube(manhã), onde trabalha há mais de 10 anos e do Ristorante L’Astigiano(noite) 

Como e quando começou sua paixão pela gastronomia? 
Em 1999 para 2000. Fui convidado por um amigo a conhecer uma cozinha comercial e nunca mais saí. 

Quais são suas referências na cozinha?
Todos aqueles que trabalham por amor à profissão e não são mercenários.

Qual o melhor prato já degustado? 
Frango caipira com angu de banana verde.

E o melhor que você já fez? 
Aqueles em que eu não medi esforços para preparar. 

Ferran Adriá ou Thomas Keller? Ou seja, rupturas ou tradição na cozinha? 
A tradição me agrada muito e é minha base. Algumas técnicas e receitas nunca vão mudar, mas renovar sempre é bom. 

O que não pode faltar em uma cozinha? 
Disposição, curiosidade, agilidade e autoconfiança.

E na sua geladeira? 
Doces, para consumo próprio. rs 

A cena gastronômica em BH tem crescido muito, já figuramos entre os melhores do Brasil? 
Sim. Belo Horizonte hoje é referência gastronômica no cenário nacional, sem dúvidas. 

Quando a cozinha se torna um ambiente chato e estressante? 
Quando prevalecem os interesses próprios e não os coletivos. Quando equipe vira “euquipe”. 

O que te emociona na cozinha?
As pessoas que nela trabalham. 

E o que te decepciona?
Todos aqueles que esquecem de si, e se entregam a um objetivo de agradar quem vai degustar.

Entremetier*, saucier, rotisseur ou patissier. Qual a sua praça predileta numa cozinha? 
Já trabalhei em todas, mas rotisseur e saucier eu domino mais. 

Quais os próximos planos? 
Ensinar as pessoas a amarem a cozinha e fazer delas parte de sua vida e não uma obrigação. Mostrar que todos podem cozinhar, só depende de você. Além disso, fazer as pessoas verem a gastronomia como uma área quase vital e não apenas lucrativa. 

Grande parte dos leitores do Indo pra cozinha, são pessoas que estão pensando em trocar de carreira ou começando uma nova vida na cozinha. Qual conselho você dá a elas? 
Meu conselho é o segredo da cozinha: não desistir. Em outras profissões às vezes seu mau humor ou suas preocupações não atrapalham tanto. Mas na cozinha seu estado de espírito é o toque final do seu prato. Cozinhar profissionalmente é muito mais que uma “comidinha” de final de semana, tem que gostar de verdade, caso contrário continue onde está. 
 
*Entremetier: acompanhamentos/guarnições
Saucier: molhos
Rotisseur: carnes
Patissier: confeitaria

Abraços de entrevistador,

Felipe Tavares

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Minha pizza na final!

Falei neste post sobre o concurso Pizza Surpreendente, uma parceria do Centro Universitário UNA e o Pizza Sur, no qual os participantes devem criar uma receita de pizza surpreendente. 

Ontem fiquei sabendo que uma das receitas que eu enviei foi para a final! Uhuu! A receita selecionada "Eu vou pra Califórnia" foi uma parceria minha e da Julieta. É uma pizza doce com frutas em conserva, morangos frescos, canela e leite condensado. 

Amanhã, dia 25, as pizzas que estão na final serão servidas gratuitamente no Pizza Sur Liberdade - Rua da Bahia, 1764, Lourdes - para os clientes votarem e escolherem as vencedoras. 

Se você passar por lá não deixe degustar e dar seu voto. E lembre-se pizza doce é a "Eu vou pra Califórnia". kkk

Confira abaixo as outras receitas finalistas. Ah, minha colega de Senac, Mariana Marcial do blog Feito com pimenta também está na final, deem moral para ela também!

Pizza de Minas – Mariana Marcial de Almeida 
Carne de sol cozida e desfiada, com fatias finas de requeijão com raspa e queijo canastra ralado, fatias de cebola roxa e azeitonas.

Pizza Josefa Marinalva – Rui Caldas Pimenta Filho 
Pizza de queijo minas ralado e/ ou muzzarella, rodelas de tomates, cebolas e orégano. No molho, uma combinação de sardinhas em conserva no óleo, molho de tomate, sal, alho e cebola bem picadinha. 

Pizza Santa Marguerita – Denise e José Guilherme
Pizza de mussarela ralada, tomates Sweet Grape cortados ao meio e sem sementes, pesto de manjericão e queijo parmesão ralado grosso

Pizzas Doces
Pizza de brigadeiro branco, morango e lascas de amêndoas – Bruna Gontijo
Pizza Eu vou pra Califórnia – Felipe Tavares
Pizza com pêssego, abacaxi, goiaba, cerejas, morangos frescos, canela e leite condensado.

Abraços ansiosos,

Felipe Tavares

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Buffet X à la carte

Como vocês sabem, "nunca antes na história desse país", eu tinha trabalhado com à la carte, somente buffets. Tinha noção de como funcionava, todos os meus almoços e jantares são dessa forma, mas nunca tinha trabalhado "de verdade", isso inclui tempo para servir, chef marchando pedido, clientes esperando ansiosamente pelo prato e etc.

Em um restaurante com serviço de buffet, você chega, faz todos os seus pratos em grandes quantidades e quando é lá pelas 11h, 11h30, você monta o buffet e fica só na reposição de pratos. É MUITO corrido para fazer tudo, mas depois de pronto, é só administrar e atender aos pedidos das buffeteiras que gritam da entrada da cozinha: "Feijão, arroz e salpicão!" Você pega a vasilha de reposição, enche, ela leva e ponto final. Fácil, né? Nem tanto. 

Na semana passada, tivemos um evento no restaurante e como vocês sabem, lá funciona com o serviço à la carte. A reserva era para mais de 30 pessoas. Para quem estava acostumado a trabalhar com reservas de 900, 1200 pessoas, 30 não era nada. É, nada para buffet, porque para um à la carte com pratos super elaborados, 30 pessoas equivalem à umas 800 no buffet. Será que exagerei?rs

Você tem que pensar que todos os clientes vão comer uma entrada, um prato principal com acompanhamento e uma sobremesa. Ah, para finalizar, todos, obviamente, devem ser servidos ao mesmo tempo, você deve montar todos os pratos da mesma forma e nada de comida fria, pelo amor de Deus, né? E isso complica tudo. Sem contar os outros clientes que nada tem a ver com a reserva e vão fazer o pedido justamente na hora em que você está com sua linha de produção toda montada. Você concentrado somente em medalhões de filé, molho funghi e de repente chega o garçom e fala:"Sai um Penne alla Matriciana" Hein? Penne? Hoje não temos isso não! rs

Depois de uma correria monstro, uma linha de produção perfeita: um monta a carne, outro a massa, outro o molho e o último finaliza com salsinha desidratada, tudo saiu perfeito, nenhuma reclamação, somente elogios! Tinha sobrevivido ao meu primeiro evento à la carte, graças ao Chef Nélio Eustáquio(que chef, viu? Fantástico!) e te falo mais, é muito mais gostoso, muito mais emocionante trabalhar assim!A adrenalina vai a mil!

Antes do evento, planejei tirar fotos de tudo(bobinho eu), mas nessa correria, ficou tudo na memória mesmo. Abaixo você confere algumas fotos que eu tenho tirado:

Esq. Bife ancho ao molho funghi com linguine ao creme
Dir. Bife ancho ao molho funghi com linguine ao alho
Penne ao ragu de mostarda
Esq. Spaghetti ao ragu de carne
Dir. San Peter ao molho de camarão
Salada de rúcula com presunto parma,
figos frescos e lascas de grana padano.
Chef Nélio
Pedido chegando...
Taças perfeitas e deliciosas de tiramisú - Chef Douglas Fernandes
Falei que as sobremesas do evento iam personalizadas? 
Um dia eu aprendo a escrever assim com o chef Douglas
Semifreddo - Chef Douglas
É, acho que eu não chego lá não...rs

Abraços deslumbrados,

Felipe Tavares


PS: estou trabalhando das 18h às 00h. O restaurante volta a funcionar para o almoço em janeiro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Oh my Gosh!

Exatamente uma semana depois de ter publicado o post Fechando o ano no qual eu falei de possíveis férias, de mudanças de rumo, etc. Já venho com novidades! A novidade do ano, a melhor de todas, aquilo que eu esperava desde sempre! Are you ready?

Fui contratado para ser cozinheiro do restaurante italiano L'Astigiano. Uhuuuuuuu!!!! Vibra comigo leitor que me acompanha desde sempre ou que começou faz pouco tempo, porque eu não estou cabendo dentro de mim de tanta felicidade!!!rs Não deu tempo nem tempo de eu cumprir o aviso prévio, tive que sair uma semana antes.

Fiz uma entrevista e um teste há algumas semanas, mas preferi não contar para vocês porque vai que acontecia algo de errado? Mas não, deu tudo certinho e a partir de amanhã, dia 16 de novembro, terça feira, começo a trabalhar em um restaurante internacional, com um dono italiano "de verdade", servindo almoços executivos e à la carte, cozinhando com azeite, presunto parma, arroz arbóreo, filé mignon, demi-glace, etc. Ou seja, o sonho de qualquer cozinheiro!rs

O dia em que eu saí do teste, parecia que eu tinha tomado um ecstasy de tão agitado que eu estava. Cozinha tranquila, um chef, um cozinheiro e uma auxiliar. Nada de correria, stress, xingos ou gritaria. Tudo na mais perfeita ordem, assim como vemos nos filmes glamourosos de cozinha - e eu que achava que isso não era possível, não na minha recente carreira. Pensava comigo: "Foi para isto que eu abandonei toda minha vida corporativa, meus finais de semana e feriados. Para trabalhar num lugar assim..."

O pedido entra pelo garçom, o chef marcha o pedido, e assim, como num passe de mágica o prato está montado, da forma mais perfeita possível, com direito a finalização de azeite aromatizado, redução de aceto balsâmico, galhinhos de alecrim para enfeitar um perfeito tornedor em crosta de ervas e parmesão recém saído do forno. MELDELS! Isso é vida!

Como se não bastasse toda essa perfeição, ainda temos alguns bônus: funciona de terça à sábado. Ou seja, nada de domingos, segundas ou feriados! Gente, isso é real? Me belisca? L'Astigiano, onde você estava durante todo esse tempo enquanto eu trabalhava todos os feriados e fins de semana desse ano?rs

Sobre a casa
Aberta há pouco mais de 6 meses pelo italiano Paolo Resmini (um ex-engenheiro civil que abandonou tudo para ir para a cozinha, engraçado conheço uma história parecida...) funcionava somente para o jantar e, a partir de amanhã, para o almoço também, comigo na cozinha, uhuuu de novo!!!

A noite o serviço é à la carte e durante o dia, almoço executivo - o cliente paga um valor fixo(depois de confirmar o $$$ eu passo para vocês) - e escolhe uma opção de entrada, uma carne, acompanhamento e uma sobremesa. Fino é pouco, né?rs

Agora viaja nas fotinhas de lá que eu peguei no site da casa:

 




Ufa, quanta coisa boa! Então é isso, a partir de amanhã não uso mais bota de açougueiro e sim, um Crocs como todos em cozinhas finas usam (espero que os cabelos das pernas que eu perdi com as 4 botas que eu já aposentei voltem a crescer), nada de montar buffet ou servir centenas de clientes. Apenas algumas dezenas, provando legítimos pratos italianos.

Um obrigado mais que especial para o Alexandre, ex-companheiro de Senac, que lembrou de mim - ao ser contratado para o turno da noite -  quando perguntado se conhecia algum cozinheiro para o dia. Alê, valeu demais pela força! 

Abraços mega ultra blaster felizes,

Felipe Tavares
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